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Mário Faustino

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O homem e a sua hora (1955)
Sinto que o mês presente me assassina, As aves atuais nasceram mudas E o tempo na verdade tem domínio Sobre homens nus ao sul das luas curvas. Sinto que o mês presente me assassina, Corro despido atrás de um cristo preso, Cavalheiro gentil que me abomina E atrai-me ao despudor da luz esquerda Ao beco de agonia onde me espreita A morte espacial que me ilumina. Sinto que o mês presente me assassina E o temporal ladrão rouba-me as fêmeas De apóstolos marujos que me arrastam Ao longo da corrente onde blasfemas Gaivotas provam peixes de milagre. Sinto que o mês presente me assassina, Há luto nas rosáceas desta aurora, Há sinos de ironia em cada hora (Na libra escorpiões pesam-me a sina) Há panos de imprimir a dura face À força de suor, de sangue e chaga. Sinto que o mês presente me assassina, Os derradeiros astros nascem tortos E o tempo na verdade tem domínio Sobre o morto que enterra os próprios mortos. O tempo na verdade tem domínio Amen, Amen vos digo, tem domínio E ri do que desfere verbos, dardos De falso eterno que retornam para Assassinar-nos num mês assassino.
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