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Geração de 1900: Semente e Prospecção
Paulo Machado(*)
Airton Sampaio(*)
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Na literatura brasileira de expressão piauiense, os integrantes da Geração de 1900 foram escritores identificados com o ideário do materialismo científico e as proposições estéticas de renovação do fazer literário. Essas características ideológicas e estéticas definiram a práxis dos componentes da Geração e estabeleceram diretrizes culturais prospectivas, viabilizadoras de um movimento que visava impulsionar para frente a prática literária no Piauí.
O grupo mais expressivo dessa seminal Geração de 1900 se constituiu de 23 nomes, listados no quadro abaixo. Dentre eles, dez foram fundadores da Academia Piauiense de Letras - APL, no ano de 1917 (Clodoaldo Freitas, Higino Cunha, Fenelon Castelo Branco, João Pinheiro, Antônio Chaves, Baurélio de Freitas, Jônatas Batista, Celso Pinheiro, Edison Cunha e Lucídio Freitas), enquanto os outros 13 nela, também, tiveram assento, embora não-fundadores (Amélia de Freitas Beviláqua, João Cabral, Odylo Costa, Abdias Neves, Félix Pacheco, Jonas da Silva, Pedro Brito, Da Costa e Silva, Zito Baptista, Nogueira Tapety, Cristino Castelo Branco e Isabel
Vilhena).
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A poesia produzida por esses artistas teve a publicação iniciada com as edições dos livros Via Crucis, de Félix Pacheco, no Rio de Janeiro, e Ânforas, de Jonas da Silva, no Recife, ambos em 1900, filiados, também ambos, à estética simbolista, seqüenciada pela publicação de Sangue, livro de Da Costa e Silva (Recife, 1908) vinculado à estética simbolista e pela vinda a lume do livro Alexandrinos, de Lucídio Freitas e Alcides Freitas (Teresina, 1912), da linhagem estética parnasiana.
Já a prosa de ficção, produzida pelos membros da Geração de 1900, teve como primeira publicação um capítulo do romance Um Manicaca, de Abdias Neves (Teresina, O Artista, 1902), um texto naturalista, seqüenciado pelas publicações dos romances Memórias de um Velho (Teresina, A Pátria, 1905), folhetim, e O Bequimão, (São Luís, Diário do Maranhão, 1908), folhetim, ambos de Clodoaldo Freitas, obras da estética realista.
Esta geração de 1900 caracterizou-se, no curso do processo histórico-cultural da literatura brasileira de expressão piauiense, como seminal (porque influenciadora das demais) e prospectiva (porque, como já enfatizado, impulsionava para frente a prática literária no Piauí). O período de tempo definido do seu surgimento, em 1900, até seu "ocaso", em 1949, teve duração cronológica de praticamente meio século.
O primeiro número da Revista Meridiano - Caderno de Letras, editado em 1949, no contexto cultural piauiense, é o fato cultural definidor do marco da surgência da Geração de 45, que sucedeu à Geração de 1900, dela caudatária e, como conservadora da matriz cultural da tradição, retrospectiva (voltada, salvo raras exceções, para um passado formalista e, na sua vertente mais conservadora, praticante de um neoparnasiano).
Surgiram, posteriormente, no Piauí, a Geração de 60 (nela o Grupo Clip e, isolados, os escritores Torquato Neto, Alberoni Lemos Filho e Geraldo Borges), a Geração Pós-69 (nela o Grupo de Teresina e o Grupo de Parnaíba) e, talvez, a Geração de 90, ainda bastante indefinida, pelo menos em termos locais. Nesta Geração, é de mencionar-se, na sua vertente conservadora, o Grupo Amálgama, caudatário da corrente mais formalista e neoparnasiana da Geração de 45 e crítico ferrenho da linguagem coloquial, possivelmente a conquista central das Gerações Modernistas de 1922, a que Gerações de 60 e Pós-69 deram seguimento.
(*)Paulo Machado e Airton Sampaio são escritores da Geração pós-69
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