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Theodoro de Carvalho e Silva Castelo Branco

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O Canto do Caçador (fragmentos)
Sou filho das selvas, sou tosco, grosseiro, Sou brusco, selvagem; não sou trovador; Eu não tenho outras lidas, eu tenho outro emprêgo, Que em tudo me ajusta - eu sou caçador.
Si a lyra hoje empunho, si sólto este canto, Não queiram tomar-me por um trovador: Eu canto inspirado das scenas sublimes Qu'encantam, qu'enlevam quem é caçador.
Certeira clavina carrego com arte E ás aves persigo por longa floresta; Matreiros veados, ligeiros, sagazes, Que gôsto qu'eu acho, - matal-os á sésta!
Meus simples prazeres, por bailes, theatros, Torneios e jogos dos homes da praça Não troco; - não valem torneios e jogos Teathos e bailes, - os gozos da caça. (...)
Uma resposta(fragmentos) (...) II E' certo, poéta, nas selvas nasci, De bosques frondosos, de palmas virentes, Lá onde o cupido nos cachos - pousado, Desprende, sonoro, mil notas cadentes.
E' certo, poéta, nos bosques nasci, Lá onde o bramido do tigre feroz Se houve; e, tomado de frigido medo, lhe foge o veado, correndo veloz!
E' certo, poéta, nas selvas, que habito Amores cantaram no seu maracá As tabas errantes, e onde - saudoso - mui terno suspira o gentil sabiá.
E'certo, poéta, um canto, sem arte, Da lyra escapou-me, que um nome me deu: Um nome, que préso por sua pobreza, Em tudo despido de pompas, qual eu.
(....) Harpa do Caçador(1884)
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