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Escola de Ícaro
O Exercício Necessário da Queda
Poemas 2000
Rio Nosso
Rio nosso que escorre
leva lembranças e laços
leva o riso o viço a vaidade
e a vontade
em suas águas barrentas
arquejando de dor
mil fantasmas pastam
e em suas curvas
asas cansadas cedem
à lonjura da viagem
***
Os Gigantes de
Quixote
uma nuvem
não é uma nuvem
se se vê um cavalo
***
Infância
sagazes sagüis
pulávamos nós
o cheiro das goiabas
Morfologia da Noite
Poemas 2001
Seis e trinta da
tarde
Morre alguma coisa no
tempo e em mim.
Sabor de outono.
Ressaca. Pássaros engasgados.
Nem o estrondo da queda
duma pétala.
Nem o escândalo dum
bater de pestanas.
Desconfio que o sol
adoeceu para sempre.
Que sou cinza. Que o
mundo se liquefaz.
O tempo enferrujou –
eu não sou eu mais.
***
As muletas
"Muletas,
muletas:
eis que sois meus pássaros."
(Nauro Machado)
E eu era solo e pássaro
e não via no
entremeio
o anjo imberbe
amigo dos meus
sonhos.
E eu era solidão
e presença
e não via sobre
as pedras
o lodo precioso,
meu único
alimento.
E eu era agonia e
lucidez
e não sabia
encontrar o poço,
a água límpida,
o arco-íris sem
náuseas.
Eu me chamava o
Desespero:
cavava o mundo e
nada descobria,
auscultava a vida
e nada sabia:
as muletas não
me podiam
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