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Na falta de um Deus

o desejo de uma crença

não tarda muito

por definhar a mente

um deus sem alma 

veio-me e disse:

"Agora eu sou teu rei

e você será o trono onde eu repousarei

será meu escravo e jamais uma pessoa qualquer

sem nada para contar"

E eu lavei minha honra no sangue 

dos pulsos daquele pobre diabo

o homem fere a si mesmo

e aos seus companheiros de cela

 

Noite fracassada

pelo dia estúpido que passei

entre a realidade e o orgasmo mental

ergo meu braço num gesto de dor

eu sou a dor:

ossos, pele, sangue e lágrimas.

Estou nu

mergulhado em sombras

entre o amargo da vida e o medo de morrer

o tédio me guia

deixo que o tempo cuide de si mesmo

e me transforme pelo erro.

 

 

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